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"Sou analfabyte", diz Antônio Fagundes, referindo-se à sua aversão por computadores

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Com 43 anos de carreira, Antônio Fagundes se acostumou a estrelar novelas do horário nobre da Globo. Não apenas porque é um ator com muitas "horas de voo" -e que, por conta disso, é constantemente escalado para as tramas de maior prestígio da casa-, mas também porque sempre calhou de surgirem papéis interessantes para ele nessa faixa. Este ano, porém, Fagundes resolveu respirar outros ares. Tanto que não pensou antes de aceitar o convite para encarnar o batalhador Leal em "Tempos Modernos", nova novela das sete da emissora. "A novela das sete é mais suave de se fazer. É uma carga menor de tempo.Temos uma tranquilidade que, às vezes, a novela das oito não dá para a gente", compara o veterano, de 60 anos.

Extremamente seletivo na hora de escolher seus personagens e direcionar sua trajetória na tevê, Fagundes confessa que a novela ter a assinatura de Bosco Brasil pesou -e muito- em sua decisão. "Já tinha lido e visto muitas peças dele, que é muito bom. E o elenco também é ótimo. Noventa por cento dos atores vieram do teatro. Sem falar que é uma história gostosa, divertida. Junta tudo isso aí e dá uma coisa boa", empolga-se. E ainda mais porque vai contracenar com a mulher, a atriz Alexandra Martins, que vive a vaidosa Duba, afilhada de Leal no folhetim.


Na história, Leal é um trabalhador, pai de três filhas, que construiu sozinho tudo o que tem -um império imobiliário. Entre suas maiores conquistas está a construção do moderníssimo edifício Titã I, no qual se passa boa parte da novela. Protegido por câmaras de segurança, o prédio é controlado por um temperamental computador apelidado de Frank, que mexe com a vida dos condôminos e é peça-chave no desenrolar das situações da trama.



Para o ator, o folhetim de Bosco é um retrato da realidade que se vive hoje no Brasil e no mundo. "Já vivemos algo como o Titã. E vai chegar um momento em que poderemos acompanhar todos os passos de alguém desde a hora em que sai de casa até a que volta, passando por todos os lugares", acredita ele, que é declaradamente avesso à tecnologia. "Não tenho Twitter, Orkut, My Space, Facebook, nada disso. Sou 'analfabyte'. Nem e-mail eu tenho. Não uso computador. Tenho tantos livros para ler. Não vou perder tempo naquela maquininha", diz.

Além de seu papel na televisão, Fagundes está em cartaz com a peça "Restos" no Teatro dos Quatro, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. No monólogo, ele vive Edward, um sujeito que se vê perdido no velório da mulher. "A partir de uma situação difícil, a peça reflete sobre as coisas boas que temos na vida", descreve ele, que também vai interpretar Sinhozinho Malta na versão de "Roque Santeiro" para o cinema.

"Vou elaborar o meu próprio Sinhozinho Malta. Não assisti à novela e nem sei se irei repetir o bordão dele no filme. Espero conseguir atuar tão bem quanto o Lima", torce ele, que começa a filmar em junho deste ano. "Logo em seguida, já começo a me preparar para a novela de Gilberto Braga", acrescenta, empolgado.

Apesar de em "Tempos Modernos" viver uma situação completamente diferente de sua realidade, já que Leal vai interagir com o irônico computador o tempo todo, na trama, Fagundes tem a chance de vivenciar uma relação com a qual está acostumado longe da ficção: a paterna. Até porque, ele é pai dos jovens Dinah, Antônio e Diana -de seu casamento com a atriz e bailarina Clarice Abujamra- e de Bruno, de seu casamento com a atriz Mara Carvalho. Na história, Leal é pai de Nelinha, Regeane e Goretti, interpretadas, respectivamente, por Fernanda Vasconcellos, Vivianne Pasmanter e Regiane Alves.

"Normalmente, a gente acha que o personagem traz algo para a gente, mas é mais fácil a gente levar algo para ele. Até porque, a gente existe há mais tempo", argumenta o ator, que continua a decorar os textos de seus papéis minutos antes de começar a gravar. "Me preparei para fazer isso por 60 anos", brinca.


(Por Carla Neves)