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Influenciada por '2001', 'Tempos Modernos' estreia nesta segunda

Pop Tevê

Contraste é um termo mais que apropriado para definir os acontecimentos que se entremeiam em "Tempos Modernos", novela que ocupa o horário das sete a partir do dia 11 de janeiro. Passada na caótica São Paulo, a história insere tecnologia de ponta no centro antigo da cidade, mistura roqueiros e cantoras líricas e traz uma vilã com cara de boneca. "Tenho trabalhado nessa sinopse há quase três anos. Ela foi crescendo e encontrando seus pontos fortes, seu espaço real, onde pôde desabrochar mais", sintetiza Bosco Brasil. Autor com vasto currículo no teatro, seu texto mais conhecido é o festejado "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", que chegou ano passado aos cinemas estrelado por Tony Ramos e Dan Stulbach.


Bosco vai debutar como autor principal de um folhetim admitindo uma certa tranquilidade. "É um horário de que gosto muito, porque a gente pode brincar bastante e fazer uma novela com várias gamas. A impressão que tenho é que eu só poderia fazer esse horário", diz, aos risos. A trama é inspirada na tragédia "Rei Lear", escrita por William Shakespeare em torno de 1605, e começa com o lançamento de mais um empreendimento do poderoso Leal Cordeiro. Vivido por Antônio Fagundes, o empresário fez fortuna na construção civil, depois de começar a trabalhar em uma olaria. "Ele é de origem humilde, foi mestre de obras e trabalhou na construção de Brasília. É um personagem que enriqueceu dentro de padrões éticos rígidos", valoriza o ator.


Antes de erguer o Titã II - prédio que segue o padrão megalômano do primeiro Titã, em que ele próprio reside - Leal precisa colocar abaixo a Galeria, conjunto de lojas tradicionais localizada no Centro de São Paulo. O problema é que nem os lojistas nem a teimosa Nelinha, filha caçula do empreiteiro, pretende que ele siga adiante com o projeto. "Ela tem uma personalidade muito particular. Gosta de chamar atenção para coisas que estejam erradas, é uma menina muito correta. E também é cheia de atitude", explica a intérprete de Nelinha, Fernanda Vasconcellos.


Quem também tenta atrapalhar os planos de Leal a todo custo é Albano, vilão interpretado por Guilherme Weber. Dissimulado, o personagem é chefe da Segurança no Titã e do tipo que finge se preocupar genuinamente com o trabalho na frente dos outros. Porém, ao lado da comparsa Deodora (Grazi Massafera), Albano se sente livre para destilar todo seu veneno em fartas doses de deboche. "O Bosco está propondo um exercício de metalinguagem: o Albano tem consciência do seu papel de vilão. Ele comenta e brinca com isso. Então, é um personagem que é uma delícia de compor", empolga-se. Prestes a viver sua primeira vilã, Grazi revela que está atenta às dificuldades de criar sua personagem. "Estou deixando a voz mais grave e fazendo muita pesquisa. A Deodora é uma vilã de história em quadrinhos, luta de salto alto. Isso não existe, mas precisamos passar credibilidade na hora de fazer", resume.


Como se não bastassem todos os contratempos, Leal ainda tem de lidar com uma pedra "eletrônica" em seu caminho: Frank, um computador que toma conta de todo o Titã. Inspirado pelo icônico HAL 9000 - autômato do filme "2001 - Uma Odisséia no Espaço", lançado por Stanley Kubrick em 1968 -, ele tem visual e voz semelhantes ao "personagem" do filme. Não à toa, o dublador Márcio Seixas, que interpretou HAL nas cópias dubladas do longa, foi escalado para interpretar o similar nacional. "Só que o Frank é um computador meio brasileiro, que tira férias, faz piadas e às vezes não funciona de propósito", diverte-se Bosco.


Para tentar dar uma unidade à salada de histórias que reúnem os quase 60 personagens da trama, o diretor José Luiz Villamarim conta que investiu na criação de uma cumplicidade entre os atores no período de "workshops" que antecedeu a novela. "Juntei todo mundo por três semanas para ler o texto e estudar mesmo. Com isso, coloquei o elenco onde eu queria", explica.